HISTÓRIA DO MOTOR 250S
A história do motor Chevrolet 250-S teve início em 1974 com uma carta enviada à General Motors pelos pilotos Bob Sharp e Jan Balder, que disputavam a Divisão 1 do Campeonato Brasileiro de Turismo Nacional, ao volante de dois Opala 4.100. Cansados de "apanhar" dos Maverick V8 - que ao lado dos Opala eram os únicos homologados a alinhar na Classe C, subcategoria destinada aos veículos de série com cilindrada entre 3.001 e 6.000 cm³ - eles solicitavam à montadora um motor capaz de fazer frente ao modelo rival, que tinha 17cv a mais de potência.
Felizmente o departamento de desenvolvimento da GM já trabalhava numa versão mais forte do 4.100, mas sem ainda ter planos de fabricá-lo em série. A receita adotada pela fábrica foi a elevação da taxa de compressão dos originais 7,5:1 para 8,5:1, a adoção de tuchos mecânicos no lugar dos hidráulicos, comando de válvulas com graduação mais alta, molas de válvulas mais rígidas e a troca do carburador simples por um de corpo duplo. Com isso, o 250-S saltou dos 118cv (a 4.200rpm) para 153cv (a 5.300rpm), ou seja, um ganho de 30%.
Era tudo isso que Sharp e Balder precisavam naquele momento. Restava então convencer a montadora a colocá-lo em produção, já que a homologação para o Campeonato (de acordo com o anexo J da FIA) exigia que os veículos tivessem um mínimo de 1.000 unidades produzidas no ano. E foi justamente o pedido para que fosse disponibilizado aquele motor como item opcional na linha Opala o conteúdo da carta enviada pelos dois pilotos à montadora.
A GM não só "comprou" a idéia como também enviou um documento à CBA, comprometendo-se a produzir as 1.000 unidades até dezembro - recurso que a Ford utilizou em 1973 para homologar o recém-lançado Maverick com o motor V8 importado. Mas a CBA não aceitou o compromisso da GM e, na madrugada que antecedeu o "Mil Quilômetros de Brasília", primeira etapa do Campeonato de 1974, os dois pilotos foram obrigados a substituir os motores de seus carros pelos 4.100 convencionais. Na etapa seguinte porém, a "25 Horas de Interlagos", a equipe Itacolomy-Safra se precaveu com um mandado de segurança. Mesmo com a desistência de Sharp (que teve a junta de cabeçote queimada depois que a hélice soltou e perfurou o radiador) o 250-S deu início à sua saga de vitórias no automobilismo brasileiro, pelas mãos de Reinaldo Campello, Wilsinho Fittipaldi e Ingo Hoffmann.